Do sentir o outro. Dias 2 e 3.


Acostumada com o silêncio da garagem, não consigo dormir ao som de cachoeiras, principalmente ao fundo de onde estou.

Não bastasse isso, por volta das 5 da manhã vários pássaros resolvem cantar em uma espécie de sinfonia, em um sincronismo inacreditável… até para uma moto. Não que incomodasse muito, mas aquele ambiente eu não estava acostumada.

Quando me dou conta, estou sendo levada em direção ao norte de Ilhabela. A maior parte do caminho não é asfalto puro, são pedras… parale.. le.. não lembro direito, mas me fazia chacoalhar muito, me estressando, apesar da imensidão do mar sereno da Ilha.

No meio deste estresse, do mar tranquilo e do Sol escaldante, sinto algo que nunca senti, desde que me lembro de ter consciência.

Um sentimento, — não meu, mas do Jr — uma vontade de estar e dividir aquela sensação de liberdade com alguém. Senti aquela sua sensação, como se fosse minha.

Ainda não sei a palavra para descrever este sentimento, mas aumentava cada vez mais. Nesse ponto, esqueci tudo, e passei a observá-lo.

Pelas placas, deduzi que íamos à praia do Curral, uma das mais ao norte de Ilhabela.

Acabara o “asfalto” e lá vamos nós mais uma vez encarar uma estrada de terra — não tenho lembranças muito boas da última.

Pelo caminho eu avistava o mar, que junto com pedras e areia clarinha formavam lindas paisagens.

Vista da praia do Curral, Ilhabela — SP

Após poucos quilômetros, placas indicando locais para estacionar. Entramos em uma delas.

Uma descida — que me fez querer não ter consciência do que estava acontecendo ali — terminou em um rio que cortava o caminho.

Acha que ele desistiu?

Não. Ele encontrou um outro caminho e atravessou o rio.

Enfim chegamos à praia do Curral. Eu fiquei de longe só observando.

Impressionante que mesmo à distância, apenas o observando, aquele sentimento, ou conexão, continuava, e podia sentir a sua sensação, ou sua… saudade — descobri a palavra, santo Google — aumentando.

Após apreciar este por do Sol, voltamos para a pousada.


Novo dia, dia 3 de 9. Este dormi bem melhor. O som da cachoeira e dos pássaros já me fazia bem. Por volta das 9:30 da manhã Jr me da partida e logo de cara aquele sentimento me vem outra vez.

Na verdade agora é uma mistura de sentimentos. Um deles eu conheço… raiva. Mas raiva do que?


15 minutos depois fui largada em meio à uma mata e sua raiva já havia passado.

É… a estrada faz isso comigo também.