Do ser humano. Dias 3 e 4.


Certeza absoluta!
Este era o novo sentimento do Jr que substituía a raiva do final do artigo anterior. Mas certeza do que?
Após amarrar o capacete na mochila — enorme — , me deu as costas e partiu. Sozinho.


15 Km até a praia dos Castelhanos …
… era o que me sinalizava uma das placas.
Após me dar conta de que estava estacionada no meio da Mata Atlântica, em frente ao Parque Nacional dos Castelhanos em Ilhabela, deduzi que ele estava decidido a pegar aquela estrada e andar seus 15 KM.
Um questionamento martelaria a minha mente nas próximas 4 horas.
O que leva um ser humano a deixar sua potente moto de 250 cilindradas no meio da mata e percorrer 15 KM à pé, com uma mochila incrivelmente pesada nas costas?










Lá, sozinha, quase não percebia os jipes cheios de turistas adentrando à estrada, pois me distraía com a cantoria dos pássaros
Porém sou interrompida — e surpreendida — por outro sentimento alheio. Não sei descrever, mas é algo muito, muito bom.
Até o dia seguinte, quando o Jr aparecera de Jipe e mochila nas costas, muitos sentimentos e sensações dele eu sentiria, em um tipo de conexão que iniciara dali.
Ás vezes, sentimentos tão fortes que imagens como estas surgiam em minha mente, seguida por uma felicidade alheia que fez despertar algo novo em mim.








Quando é que eu, Rosalee terei meus próprios sentimentos e emoções como estas? Não quero sentir emoções alheias, quero as minhas próprias! Afinal, o que significa ser uma moto?
Já de volta à pousada, de posse desta revolta, nem o som da cachoeira e nem a cantoria dos pássaros conseguiriam me harmonizar, pois um sentimento novo crescia dentro de mim: a inveja.
O que fazer com ela? A estrada me ensinaria.